Distrito de Palmital dos Carvalhos
Localizado no município de Senhora dos Remédios, o distrito de Palmital dos Carvalhos conta uma população de 2813 habitantes, em uma área de 74.81 km², ou seja, 31.76% do território, sendo que a lei de criação do distrito é a Lei Estadual Nº 2764 de 30/12/1962.

Distrito de Palmital dos Carvalhos
O distrito de Palmital dos Carvalhos com uma população de 2813 habitantes tem uma área de 74.81 km², ou seja, 31.76% do território, a lei de criação do distrito é a Lei Estadual Nº 2764 de 30/12/1962.
História
O Reverendíssimo Padre José Duarte de Souza e Albuquerque relata que a origem do Palmital dos Carvalhos está ligada a uma fazenda pertencente a José Garcia da Silveira. Em 1779, ele destinou o imóvel como patrimônio a seu filho, João Garcia da Silveira, para que pudesse se ordenar. Mais tarde, a propriedade foi herdada por Manuel Carvalho Duarte Brandão, que a transmitiu a seu filho, Antônio Carvalho Duarte. Com o falecimento deste e de sua esposa, a fazenda foi demolida e suas terras repartidas entre diversos herdeiros.
De acordo com o Almanaque Municipal de Barbacena, em 1898 o Palmital dos Carvalhos já contava com cerca de doze a quinze casas. Tratava-se, contudo, de habitações dispersas, sem um núcleo central que conferisse caráter urbano ao lugar. Ainda assim, já havia deixado de ser um simples sítio para assumir a condição de povoado, possivelmente reconhecido por Lei do Conselho Distrital de Remédios, como se deduz da referência feita pelo Dr. Ângelo Xavier da Veiga. Assim como ocorrera com o povoado dos Vargas, o reconhecimento deu-se mesmo sem a presença de uma igreja que reunisse a população.
O crescimento populacional levou, em 1919, o pároco de Capela Nova, Padre José Antônio Henriques, conhecido como Padre Zequinha, a propor a construção de uma igreja. Consultados os moradores, estes escolheram São Sebastião como padroeiro. Com a Provisão Episcopal de 6 de junho de 1919, foi autorizada a edificação da capela, que foi benzida em 15 de abril de 1920. Ao seu redor formou-se o arraial, na saída do Palmital em direção à Vargem do Amargoso. Por essa iniciativa, o futuro Cônego José Antônio Henriques é considerado o fundador do núcleo urbano do Palmital, embora não tenha recebido a devida homenagem na nomeação de vias públicas.
Com a expansão do arraial, surgiu a necessidade de ampliar a capela, obra realizada em 1935 pelo Padre Francisco Ferreira Rodrigues, sucessor de Padre Zequinha na Paróquia de Capela Nova. Mais tarde, o Padre José Duarte, ao assumir a mesma paróquia, decidiu erguer uma nova capela em outro local, prática que já havia adotado em Ressaquinha. Em 1946, obteve Provisão para a construção de uma nova capela a dois quilômetros rio abaixo, no Pinta Pau, em direção a Capela Nova, para onde se transferiu o arraial. Ele mesmo afirma que, já em 1944, a antiga capela apresentava risco de desabamento, e a mudança contou com o apoio da maioria dos moradores.
Segundo registros, a nova capela foi benzida e aberta ao culto em 17 de setembro de 1946, conforme relata Padre César, ou em 18 de setembro do mesmo ano, segundo Padre Duarte. As fontes divergem também quanto à autoridade presente: para Padre César, foi Dom Helvécio Gomes de Oliveira; para Padre Duarte, Monsenhor João Castilho Barbosa.
A partir desse período, o Distrito passou a se desenvolver rapidamente. Em 1979, foi delimitada oficialmente sua área urbana. Pouco tempo depois, em 12 de junho de 1982, ocorreu a inauguração da rede elétrica da CEMIG, vinda da Vargem do Amargoso. Essa escolha mostrou-se acertada, pois permitiu que um número maior de moradores fosse atendido, em comparação ao que ocorreria caso a rede viesse de Carandaí.
Foi também a CEMIG a responsável pela primeira nomeação das ruas do Palmital, utilizando letras de A a P. Em 1984, a Lei nº 617 oficializou a denominação das vias, mas não chegou a prevalecer por falta de consenso. Anos depois, em 1996, novas nomeações foram feitas pela Lei nº 932, seguidas da Lei nº 941. Nesse período, surgiu uma grande polêmica: muitos fiéis ficaram profundamente magoados com a decisão de demolir a antiga igreja, considerando a atitude um verdadeiro sacrilégio. Afinal, aquele templo possuía forte valor simbólico, por ter sido local de inúmeros batizados e casamentos, guardando vínculos emocionais da comunidade.
Entre as informações preservadas pela memória local, consta que o terreno destinado à construção da Escola Estadual Dona Urquiza Diniz Chagas foi doado por José Augusto de Carvalho. Já o novo patrimônio da capela foi oferecido por Lordino Augusto de Carvalho. Em 1995, foi inaugurada a Capela de Nossa Senhora Aparecida, pelo Padre José Vicente Guedes, então coadjutor da Paróquia de Santana de Carandaí. Essa nova construção foi erguida no mesmo local onde se encontrava a primeira capela, de 1919. Entretanto, a iniciativa enfrentou forte oposição do Padre José Custódio de Assis, pároco de Capela Nova, gerando conflitos entre a comunidade do Palmital e a paróquia, sobretudo entre 1991 e 1993. Diante da situação, o Arcebispo de Mariana decidiu transferir a capela para Carandaí, onde permaneceu até a chegada do novo pároco de Capela Nova, Padre Geraldino Mendes Pacheco. Durante esse período, a capela foi benzida e aberta ao culto.
Curiosamente, a Capela de Nossa Senhora Aparecida foi construída próxima ao chamado Cemitério Velho, sobre o qual não há memória precisa de sua bênção inicial. O senhor Quirino Celestino de Carvalho, membro da Conferência de Nossa Senhora Aparecida — entidade responsável pela construção da capela — afirmou que seus antepassados ali foram sepultados. Essa informação ganha reforço histórico no testamento de João da Costa Morais, redigido em 7 de março de 1772, no qual ele declara ser proprietário de uma sesmaria confirmada nos Matos Gerais do Sertão da Pedra Menina, situada no Ribeirão do Palmital, onde já existia um cemitério consagrado. Assim, conclui-se que esse espaço corresponde ao atual Cemitério Velho, cujo primeiro sepultamento registrado ocorreu em 29 de dezembro de 1759, com o enterro de Manuel, escravizado do próprio João da Costa Morais.
Geografia
População Urbana e Rural
Distrito | População | Pop. Urbana | Pop. Rural |
---|---|---|---|
Senhora dos Remédios | 6.596 (63.52%) | 1.946 (29.51%) | 4.650 (70.49%) |
Palmital dos Carvalhos | 2.813 (27.09%) | 1.686 (59.95%) | 1.127 (40.05%) |
Japão | 975 (9.39%) | 593 (60.82%) | 382 (39.18%) |
Total | 10.384 hab | 4.226 (40.70%) | 6.158 (59.30%) |
Distritos | 3.788 (36,48%) | 2.279 (53,94%) | 1.509 (24,50%) |
Território
Distrito | Área | Densidade | % Área |
---|---|---|---|
Senhora dos Remédios | 126,70 km² | 52,06 hab/km² | 53,79% |
Palmital dos Carvalhos | 74,81 km² | 37,60 hab/km² | 31,76% |
Japão | 34,05 km² | 28,63 hab/km² | 14,45% |
Total | 235,56 km² | 44,08 hab/km² | 100,00% |
Distritos | 108,86 km² | 34,80 hab/km². | 46,21 % |
População x Domicílio
Distrito | Domicílios | População | Pessoas por Domicílios |
---|---|---|---|
Senhora dos Remédios | 3.183 (65,83%) | 6.596 hab. | 2,07 |
Palmital dos Carvalhos (1962) | 1.218 (25,19%) | 2.813 hab. | 2,31 |
Japão (2014) | 434 (8,98%) | 975 hab. | 2,25 |
Total | 4.835 | 10.384 hab. | 2,15 |
Distritos | 1.652 (34,17%) | 3.788 (36,48%) | 2,29 |
Mapa do Distrito de Palmital dos Carvalhos
Fonte: Senhora dos Remédios - Palmital dos Carvalhos
Fonte: IBGE
Fonte: Fundação João Pinheiro
Fonte: Site da Prefeitura
Fonte: Iepha