Distrito de São Sebastião da Vitória
Localizado no município de São João del Rei, o distrito de São Sebastião da Vitória conta uma população de 2399 habitantes, em uma área de 265.68 km², ou seja, 18.28% do território, sendo que a lei de criação do distrito é a Lei Municipal nº 70 de 15/1/1900.

Distrito de São Sebastião da Vitória
O distrito de São Sebastião da Vitória com uma população de 2399 habitantes tem uma área de 265.68 km², ou seja, 18.28% do território, a lei de criação do distrito é a Lei Municipal nº 70 de 15/1/1900.
História de Distrito de São Sebastião da Vitória
Antes de 1850, o território que constituía o atual distrito de São Sebastião da Vitória consistia em uns dez latifúndios pertencentes às famílias Velho (moradores do Engenho de Serra), Baía, Lavra (na divisa com São Miguel do Cajuru), Amaral, Moreira e Ávila (entre São Sebastião da Vitória e São Miguel do Cajuru), Ribeiro da Silva (moradores da atual Vila e arredores), Batista, Abreu, Severino, Vale e Paiva. Dentre essas propriedades, destacava-se a antiga Fazenda da Vitória, pertencente a Francisco Ribeiro da Silva, conhecido como “Chico Nenê”. Acredita-se que foi dentro dessa fazenda que começou o arraial. Seu filho mais velho, Eugênio Ribeiro da Silva, o “Papageno”, pode ser considerado o fundador do atual distrito, que começou a florescer ao redor de sua residência, nas terras herdadas do pai.
Nos primórdios, segundo o relato de Sebastião Alexandrino de Ávila, o arraial era simples, com poucos fogos e almas. Havia a rua principal, comprida, que atravessava o povoado. Outras duas ruas menores eram chamadas de “Rua de Baixo” e “Rua do Pito Aceso”, além de uma ruela conhecida como “Beco do Sr. Messias”. A “Rua do Pito Aceso” recebeu esse nome porque nela viviam alguns negros idosos, oriundos das Fazendas do Rincão e da Vitória. À tardinha e à noite, eles se reuniam nas portas de seus casebres de pau-a-pique para contar casos de assombração, trançar laços e cordas de couro, fumar seus cachimbos de barro e cigarros de palha. Era também costume organizarem-se danças nos terreiros, animadas por cordas e percussão.
Antes da construção da primeira igreja, a assistência religiosa era prestada preferencialmente pelos vigários de São Miguel do Cajuru, entre eles o Pe. Isidoro Corrêa de Carvalho e o Pe. José Bonifácio dos Santos, que celebravam missas em um altar portátil. Por volta de 1889, o Pe. Francisco Sales Torga atuou no local, sendo sucedido pelo Pe. Francisco Goulart, que ali permaneceu entre 1920 e 1924. Em 1930, assumiu o Pe. Pedro Francisco Onclin e, em 1942, o Pe. Miguel Afonso de Andrade Leite. A partir de 1952, outros sacerdotes atenderam a comunidade: Pe. Lopes, Pe. Lúcio José dos Santos, Pe. José Roberto Vale da Silva (1988-1989), Pe. Fábio Rômulo Reis (1989-1993) e, em 1995, assumiu o Pe. Sílvio Firmo do Nascimento, vigário ainda em exercício.
Em 28 de abril de 1880, o Pe. José Bonifácio dos Santos solicitou autorização ao bispo de Mariana, D. Antônio Maria Correia de Sá Benevides, para a edificação de uma capela que seria filial da Capela de São Miguel do Cajuru. O povo, unido, organizou diversos eventos para arrecadar fundos e erguer o templo, construindo também um cemitério anexo. A Capela de Nossa Senhora das Vitórias foi elevada à categoria de Matriz de São Sebastião em 25 de março de 1925, por Decreto Canônico de D. Helvécio Gomes de Oliveira, arcebispo de Mariana. O Cônego João Batista da Trindade, então vigário de Conceição da Barra de Minas, foi designado para prestar assistência, dividindo seu tempo entre as duas localidades, deslocando-se a cavalo.
Assim, as devoções a São Sebastião e a Nossa Senhora das Vitórias têm suas origens ligadas ao padroeiro dos fazendeiros, à lembrança da antiga Fazenda da Vitória e à primeira capela, inaugurada em 4 de outubro de 1884 pelo Pe. José Bonifácio dos Santos. A comissão construtora dessa igreja primitiva, que possuía um capanário separado, contou com a participação de Antônio Francisco da Silva, José Pedro de Ávila, José Lopes da Silva, Pedro Minas Camargo, João Pedro de Ávila e Olímpio Moreira de Carvalho, entre outros.
A atual Matriz, mais ampla e confortável, começou a ser construída em 19 de março de 1961, graças aos esforços do Pe. Antônio Batista Lopes, com o apoio da população. Foi inaugurada em 19 de janeiro de 1964, em uma cerimônia solene que incluiu a transferência da imagem de São Sebastião da antiga para a nova igreja. Corre ainda o relato de que, na Matriz, teria sido guardada uma relíquia do mártir São Sebastião, um pedaço de osso obtido em Roma por D. Delfim Ribeiro Guedes, bispo já falecido da Diocese de São João del-Rei.
Geografia
População Urbana e Rural
Distrito | População | Pop. Urbana | Pop. Rural |
---|---|---|---|
São João del Rei | 82.841 (91.82%) | 81.731 (98.66%) | 1.110 (1.34%) |
Arcângelo | 1.039 (1.15%) | 451 (43.41%) | 588 (56.59%) |
São Gonçalo do Amarante | 671 (0.74%) | 211 (31.45%) | 460 (68.55%) |
Emboabas | 612 (0.68%) | 130 (21.24%) | 482 (78.76%) |
Rio das Mortes | 2.663 (2.95%) | 1.773 (66.58%) | 890 (33.42%) |
São Sebastião da Vitória | 2.399 (2.66%) | 1.491 (62.15%) | 908 (37.85%) |
Total | 90.225 hab | 85.787 (95.08%) | 4.438 (4.92%) |
Distritos | 7.384 (8,18%) | 4.056 (4,73%) | 3.328 (74,99%) |
Território
Distrito | Área | Densidade | % Área |
---|---|---|---|
São João del Rei | 215,54 km² | 384,34 hab/km² | 14,83% |
Arcângelo | 346,20 km² | 3,00 hab/km² | 23,82% |
São Gonçalo do Amarante | 96,51 km² | 6,95 hab/km² | 6,64% |
Emboabas | 400,56 km² | 1,53 hab/km² | 27,56% |
Rio das Mortes | 128,92 km² | 20,66 hab/km² | 8,87% |
São Sebastião da Vitória | 265,68 km² | 9,03 hab/km² | 18,28% |
Total | 1.453,41 km² | 62,08 hab/km² | 100,00% |
Distritos | 1.237,87 km² | 5,97 hab/km². | 85,17 % |
População x Domicílio
Distrito | Domicílios | População | Pessoas por Domicílios |
---|---|---|---|
São João del Rei | 40.432 (88,52%) | 82.841 hab. | 2,05 |
Arcângelo (1891) | 617 (1,35%) | 1.039 hab. | 1,68 |
São Gonçalo do Amarante (1923) | 686 (1,50%) | 671 hab. | 0,98 |
Emboabas (1884) | 491 (1,07%) | 612 hab. | 1,25 |
Rio das Mortes (1876) | 1.463 (3,20%) | 2.663 hab. | 1,82 |
São Sebastião da Vitória (1900) | 1.989 (4,35%) | 2.399 hab. | 1,21 |
Total | 45.678 | 90.225 hab. | 1,98 |
Distritos | 5.246 (11,48%) | 7.384 (8,18%) | 1,41 |
Comunidades
Pertencem ao Distrito os povoados/vilas do Tijuco, Bandeirinha, Januário, Caquende, Cruzeiro da Barra, Engenho de Serra e Valo Novo.
Comunidade do Tijuco
No caso de São João del-Rei, o bairro recebeu a denominação em razão de uma antiga área pantanosa e improdutiva, onde também eram empregados os nomes Betume e Barro Preto, devido ao solo escuro e oleoso, rico em hidrocarbonetos. O local abrigava um cruzeiro religioso, citado por Lincoln de Sousa em sua obra Contam que.
Registros históricos confirmam essa nomenclatura: um documento de 1806 menciona a Chácara do Betume e o Morro do Cascalho, por onde passava uma antiga estrada utilizada como via de servidão pública.
Comunidade do Caquende
A formação do povoado de Caquende está diretamente relacionada ao período da mineração aurífera. Para explorar o ouro, construiu-se um sistema de canalização: a água era conduzida do Povoado de Jaguara, no Ribeirão da Cachoeira do Bom Retiro, até um grande reservatório situado na entrada do lugarejo, de onde se distribuía para as lavagens realizadas nas catas próximas.
Sobre a origem do nome, há duas interpretações. Para os moradores locais, Caquende teria surgido da contração da expressão “Cá-aquém-de”, indicando que a região se localizava “deste lado” em relação à Capela do Saco, no município de Carrancas. Outra hipótese sugere influência indígena (brasílica) ou do idioma Iorubá (Nagô), pertencente à família linguística nigero-congolesa, falado no atual Benin e no sul do Saara.
Em termos históricos, já em 1873 havia infraestrutura que ligava a comunidade à região vizinha: uma ponte sobre o Rio Grande fazia a conexão entre Caquende e a Capela do Saco, como registrado no livro Três Ilhoas, de José Guimarães.
Mapa do Distrito de São Sebastião da Vitória
Algumas elucubrações sobre o distrito de São Sebastião da Vitória, sobre a falta de documentos, sobre a memória oral e a necessidade de “falarmos do nosso quintal”. São João del-Rei: Pátria Mineira, 2023. Disponível em: https://patriamineira.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Distrito-de-Sao-Sebastiao-da-Vitoria.pdf. Acesso em: 27 ago. 2025.
Fonte: IBGE
Fonte: Fundação João Pinheiro
Fonte: Site da Prefeitura
Fonte: Iepha