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Fazenda Monte Cristo

História da Fazenda Monte Cristo

Apartir de 1847, quando acompanhou Teófilo Benedicto Ottoni na sua primeira incursão ao vale do Mucuri, pela abertura que ele fez de uma picada dentro das matas que resultou mais tarde na primeira estrada de rodagem do Brasil, conhecida como Santa Clara, construída aproveitando a picada existente. Na época, Araújo Maia alugou para a Companhia Vale do Mucuri 56 escravos dos 100 escravos trazidos com ele de Valença. Ele ainda foi sócio da grande firma comercial em Philadelphia - Araújo Maia e Irmão.

Alguns dados pessoais sobre este Araújo Maia visam esclarecer também que além da sua legendária fortuna nunca historiada, ele era muito próximo dos Ottoni desbravadores, vez que era casado com Maria Izidora Benedicto Ottoni, irmã de Teófilo Ottoni. Mas as proximidades estreitavam ainda mais porque tinha uma de suas irmãs, Bárbara Balbina de Araújo Maia, casada com o senador Cristiano Ottoni, irmão de Teófilo Ottoni. Outra irmã, Ana Amália de Araújo Maia, casada com o médico Dr. Manoel Esteves Ottoni, primo de Teófilo Ottoni, e mais outra, Maria Leopoldina de Araújo Maia (Dona Maricota), casada com o Capitão Leonardo Esteves Ottoni, irmão do Dr. Manoel.

Esta propriedade teve a seguinte sucessão de donos a partir do seu fundador que quando retornou ao Rio de Janeiro a vendeu para o pioneiro Fernando Schroeder, que após algum tempo a passou para o também pioneiro Gustavo Bamberg, cuja família a dominou por 82 anos seguidos, quando a vendeu para o atual proprietário, Eli Jeremias Paranhos, em 1993.

A fazenda Monte Cristo dista de Teófilo Otoni 12 quilômetros, tem uma área de 162 alqueires e como as demais fazendas dos colonizadores, foi industrializada a partir da captação de água e conserva seus imensos terreiros entijolados. A casa sede imponente e altaneira abriga no porão uma senzala com duas celas e no alto da construção vê-se um sótão de defesa, com detalhes estratégicos. Esta é a morada do casal Eli Jeremias Paranhos e sua esposa Deusmira Paranhos e uma filhinha menor. Seria imperdoável lacuna no contexto a omissão da fidalguia e o carinho dos donos para com os visitantes que podem apreciar aquela histórica construção alvo do desvelo dos moradores. Hoje, a renda da propriedade advém da pecuária leiteira, que resulta na produção de queijo tipo parmezão destinados ao Rio de Janeiro e São Paulo.

Município Teófilo Otoni: A Fazenda Monte Cristo está localizada no município de Teófilo Otoni, na região do Vale do Mucuri, em Minas Gerais.

Distrito Sede: A fazenda fica na zona rural do município, a cerca de 12 km do centro da cidade.

Designação Fazenda Monte Cristo: A propriedade é conhecida como Fazenda Monte Cristo, uma antiga fazenda da época da colonização, que mantém características originais da construção, como porão (senzala) e sótão com seteiras (aberturas estreitas para defesa).

Endereço: Zona rural de Teófilo Otoni, distante 12 km do centro da cidade.

Propriedade: O imóvel pertence atualmente a Eli Jeremias Paranhos, que o comprou em 1993.

Responsável: O próprio Eli Jeremias Paranhos, juntamente com sua esposa Deusmira Paranhos, é o responsável pela administração e manutenção da fazenda.

Uso Atual: A fazenda é usada como residência rural. A renda vem da pecuária leiteira, com produção de queijo tipo parmesão que é vendido para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Descrição: A construção é do tipo colonial regional, ou seja, da época da colonização de Philadélfia (primeiro nome de Teófilo Otoni), quando chegaram os primeiros imigrantes – principalmente alemães, na segunda metade do século XIX, além de colonos vindos da África e da Ásia. É uma construção com porão alto (que era usado como senzala, local onde os escravos eram alojados) e sótão com seteiras (aberturas estreitas) e pequenas janelas, que eram usadas para defesa contra os índios (silvícolas). O formato da casa é em "L" (partido em "ele"). Ela fica num terreno com pequena inclinação (aclive), num nível acima da rua. O acesso é feito por uma escada em formato de meia-lua com 12 degraus.

A estrutura é toda de madeira, com paredes de tijolos que eram fabricados no próprio local, com medidas especiais. O telhado tem principalmente duas águas (duas superfícies inclinadas), paralelas à fachada principal. Em uma parte, o telhado avança perpendicularmente, formando um frontão (espécie de triângulo na parte alta) com três janelas arqueadas (em arco) no sótão, o que dá à casa a aparência de uma construção assobradada (de dois andares). No total, o telhado tem oito águas, com telhas cerâmicas do tipo "cumbuca", estrutura de madeira superdimensionada (mais forte que o normal) e beirais forrados (bordas do telhado com acabamento).

A fachada tem um formato horizontal cortado ao meio por um volume sustentado por quatro colunas redondas (seção circular), com vãos arqueados entre elas e nas laterais. Essa é a entrada principal, acessada pela escadaria em meia-lua. As portas e janelas são de madeira almofadada (com relevos), abrem para fora, são retangulares, exceto as três do frontão, que são em arco. Na pequena varanda que fica sob o frontão, sustentada pelos pilares com vãos arqueados, o peitoril (parapeito) é feito de madeira com tabuinhas trabalhadas (entalhadas).

Análise do Estado de Conservação

A construção foi reformada recentemente, mas as principais características originais foram mantidas, como esquadrias (molduras de portas e janelas), telhado, cobertura, pisos, etc.

Fatores de degradação

O principal fator de degradação é o tempo (ação natural dos anos sobre a construção).

Intervenções

Foi feito um acréscimo: a construção de uma cozinha externa, em estilo atual, mas mantendo a cozinha original da casa.

Mapa do Fazenda Monte Cristo

Fonte:

Arquivos da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico

Dossiê de Tombamento do Túnel Da Antiga Estrada De Ferro Bahia&Minas

ALMEIDA, Luiz Sávio de; GALINDO, Marcos; ELIAS, Juliana Lopes (orgs.). Índios do Nordeste: temas e problemas 2. - A guerra do Mucuri: conquista e dominação dos povos indígenas, Maceió: EDUFAL, 2000.