História do Distrito de Rio Pretinho
Já no final do século XIX apareceram na região do Rio Preto, outros habitantes, que deram sustentação ao povoamento e, posteriormente, ao distrito de Rio Pretinho. Padre Paraíso que abriu uma fazenda e começou o seu papel de missionário, Chico Espanhol que construiu a primeira igreja em 1904 (essa igreja já não mais existe), Frei Venceslau que substituiu o Padre Paraíso, em 1906, mesma época em que chegou a família do Chico Miranda, tido pelos moradores atuais como o primeiro morador, e outras famílias.
Rio Pretinho, Teófilo Otoni
Localizado no município de Teofilo Otoni, o distrito de Rio Pretinho conta uma população de 1180 habitantes, em uma área de 289.22 km², ou seja, 8.92% do território, sendo que a lei de criação do distrito é a Decreto-lei Estadual Nº 6769 de 13/05/1976.
História de Rio Pretinho
Relatório da exposição dos Rios Mucury e Todos os Santos - 1846
Em relatória de 1846 , Pedro Victor Reinault cita, “Embarcando-me finalmente aos 13 de Septembro de 1836, encontrei trez dias depois (16) a barra do rio Todos os Santos no Mucury.
No 7.º dia de viagem, logo para baixo do Rio Preto, tive o primeiro encontro com os botocudos selvagens (da nação dos Jiporocas) em numero de 25 arcos; pouco mais ou menos 80 pessôas.
Não pressentiram elles a nossa chegada por causa das muitas precauções que tomei, ordenando sempre que não dessem tiros, nem gritassem, pois não desejava encontral-os com tão pouca gente (da minha parte), e tão minguados socorros; e graças a essas precauções, escapamos milagrosamente de diversos ataques a que talvez não resistissemos com facilidade.”
Criação do Quartel de Santa Cruz
No início de 1847, o Coronel Honório Esteves Ottoni, primo de Teófilo Ottoni, transferiu parte das provisões militares da Companhia de Pedestres do Jequitinhonha para as margens do rio Preto, onde foi criado o Quartel de Santa Cruz. Entre as ações planejadas, destacava-se a abertura de uma picada ligando Minas Novas ao rio Todos os Santos, afluente do rio Mucuri. Com a instalação do Quartel de Santa Cruz, estabeleceu-se também um ponto de aldeamento indígena, destinado a prestar apoio e suprir as necessidades da Companhia do Mucuri.
Catequização Indígena e Fim do Quartel
Encontramos no livro de Frei Olavo Timmers Ofm, Theóphilo Benedicto Ottoni, a seguinte referência da região de Rio Pretinho:
“Quartel de Santa Cruz - a picada foi aberta, de Minas Novas, passando pela fazenda Ribeirão, do coronel Honório e pelo Quartel dos Coimbras (perto do atual Caraí) até o Rio Preto, em cima (Rio Preto, em baixo, era Pampa), o lugar mais apropriado, onde fundou-se o Quartel, provavelmente onde hoje e conhecida por Santa Cruz, parece que em vez de Frei Domingos, outro capuchinho, Frei Bernardino do Lagonegro, começou a catequizar a tribo do capitão Cassimiro, aldeada nas vizinhanças do Quartel. Porém, prevendo o missionário uma revolta dos índios, retirou-se. No ano seguinte... realmente revoltaram-se os indigenas em 1849, o comandante, Sargento Coelho, maltratava os homens com tronco e palmatória, obrigando-os a fazer todo o serviço da roça, enquanto os soldados estavam em criminosa ociosidade e incomodaram as índias, o sargento e dois soldados (ou três conforme outra fonte) foram mortos; quatro fugiram; o Quartel foi destruído ... “
O fato é corroborado com mais informações pela obra "Índios do Nordeste: Temas e Problemas 2
“Um dos exemplos mais significativos dessa afirmativa é o dos grupos dos capitães João Imá e Casemiro. Este Maxakalí havia se refugiado no córrego do Ouro, próximo à serra do Itamonheque, região habitada por grupos arredios ao contacto, após ter morto o comandante e alguns praças do destacamento no rio Preto em 1849 durante uma revolta que comandara devido aos maus-tratos recebidos. João lmá também era Maxakalí vindo do rio Rubim do Sul, afluente do Jequitinhonha, tendo sido o responsável pelo ataque ao destacamento do Quartel de Santa Cruz em 1847. As razões também tinham sido os maus-tratos, o excesso de trabalho e a tentativa de prostituírem suas mulheres.“
Pelo que vimos no texto descrito os primeiros habitantes da região de Rio Pretinho, não tiveram a sapiência e humildade para conviverem com os silvícolas que lá habitavam e a experiência de povoar aquela região através do Quartel de Santa Cruz, só durou dois anos, de 1847 a 1849.
Final do Século XIX
Segundo Frei Samuel Tetteroo, São João do Padre Paraíso (hoje, Rio Pretinho) teve o seu início em uma fazenda de cacau começada pelo Revmo. Pe. Agostinho Francisco Paraíso, de 1875 - 1890 vigário de Araçuaí e por algum tempo deputado provincial; foi o primeiro que propôs a mudança da capital de Ouro Preto para Belo Horizonte. No dizer de alguns, foi desta fazenda que se originou a irritante questão de limites deste município com o de Araçuaí.
Primeira Capela
Nesta fazenda, embora situada fora dos limites da sua freguesia, catequisou o Pe. Paraíso uns índios "Poruntuns". Para este fim construiu uma pequena capela num alto (feita por Chico Espanhol em 1904), à margem direita do rio Preto, perto da barra do rio Marambaia, no lugar onde hoje é o cemitério da povoação - A obra data de 1925, não sabendo se o cemitério existe.
Esta capelinha desabou a primeiro de maio de 1910. No dia seguinte chegou à localidade o Revmo. Pe. Frei Samuel Tetteoo O. F. M., vigário cooperador na freguesia de Teófilo Otoni, para a visita de desobriga. Logo este providenciou para a construção da atual capela nomeando uma comissão, à qual encarregou das obras. Fizeram parte desta comissão o Sr. Francisco Fernandes Posses (vulgo Chico Espanhol), mestre pedreiro, e os Srs. João Francisco de Paula, Francisco Mendes e João dos Santos, procuradores de esmolas e donativos.
Aos 11 de dezembro de 1913 esta nova capela, sob a invocação de S. João Batista, foi inaugurada pelo Revmo. Pe. Wenceslau Westerhof, sucessor de Frei Samuel.
Origem do Nome
No ano seguinte, passando por lá o Revmo. Vigário de Teófilo Otoni Pe. Frei Gonzaga Gouverneur, propôs aos habitantes da povoação até então denominada por uns de Marambaia, e por outros Rio Preto, adotar a atual denominação ao mesmo tempo em homenagem ao Santo Padroeiro da Capela e em memória do fundador da povoação.
Economia no Passado
A principal transação de comércio desta povoação é a de pedras coradas provenientes das lavras do Marambaia e do Americanas, bem como a de poaia e óleo de copaíba, extraídos das matas adjacentes.
Dias Atuais
No ano de 1935 chegaram os Souza Campos, família influente nos dias atuais. A igreja existente hoje no distrito foi construída no ano de 1942. Os nomes anteriores do distrito foram: Rio Preto da Barra do Marambaia, São João do Paraíso e, finalmente, Rio Pretinho.
Segundo Waldemar de Almeida Barbosa, o distrito de Rio Pretinho foi criado oficialmente em 1976. Trata-se do distrito mais afastado da sede do município, mais ligado a Catuji, que a sua sede.
Formação Administrativa
1857
Freguesia criada, com a denominação de Nossa Senhora da Conceição da Filadélfia, pela Lei Provincial n.º 808, de 03-07-1857, confirmada sua criação pela Lei Estadual n.º 2, de 14-09-1891, subordinado ao município de Minas Novas.
1878
Elevado à categoria de vila com a denominação de Teófilo Otoni, pela Lei Provincial n.º 2.486, de 09-11-1878, sendo desmembrado de Minas Novas. Sede na povoação de Nossa Senhora da Conceição de Filadélfia. Constituído de 2 distritos: Teófilo Otoni e Malacacheta, criado pela mesma Lei acima citada e pela Lei Estadual n.º 2, de 14-09-1891. Instalado em 25-03-1881.
1976
Pela Lei Estadual n.º 6.769, de 13-05-1976, foram criados os distritos de Mucuri e Rio Pretinho, e anexados ao município de Teófilo Otoni.
1992
Pela Lei Estadual nº 10703, de 27-04-1992, desmembrado de Teófilo Otoni, e com terras do distrito de Rio Pretinho, o povoado de Belo Oriente é elevado à categoria de município com a denominação de Novo Oriente de Minas, sendo Frei Gonzaga rebaixado a povoado.
Geografia
Economia: A economia local gira em torno da agropecuária. Na década de 1990 teve grande produção a fruticultura, abacaxi e maracujá, que, entretanto, enfrentou dificuldades para o escoamento da produção.
Hidrografia: Além das características gerais do município, neste distrito escontran-se inumeras formações rochosas e cachoeiras, com destaque para a Cachoeira do Jangadeiro, as margens da BR-116, é banhado pelo Rio Pretinho na sub-bacia do Rio Marambaia, afluente do Rio Mucuri, conta com os córregos Beija-Flor, Boa Esperaça, Boa Sorte e Inveja.
População
Queda Populacional
Pelo censo de 2010, Rio Pretinho tinha 1721 habitantes, caindo para 1180, ou seja, uma queda de 31.44% da população que representa 541 habitantes.
População Urbana e Rural
| Distrito | População | Pop. Urbana | Pop. Rural |
|---|---|---|---|
| Teofilo Otoni | 124.692 (90.74%) | 112.946 (90.58%) | 11.746 (9.42%) |
| Topazio | 3.729 (2.71%) | 940 (25.21%) | 2.789 (74.79%) |
| Pedro Versiani | 3.034 (2.21%) | 622 (20.49%) | 2.412 (79.51%) |
| Mucuri | 3.213 (2.34%) | 2.142 (66.67%) | 1.071 (33.33%) |
| Crispim Jacques | 1.570 (1.14%) | 141 (8.98%) | 1.429 (91.02%) |
| Rio Pretinho | 1.180 (0.86%) | 169 (14.32%) | 1.011 (85.68%) |
| Total | 137.418 hab | 116.960 (85.11%) | 20.458 (14.89%) |
| Distritos | 12.726 (9,26%) | 4.014 (3,43%) | 8.712 (42,59%) |
Território
| Distrito | Área | Densidade | % Área |
|---|---|---|---|
| Teofilo Otoni | 1.084,89 km² | 114,94 hab/km² | 33,46% |
| Topazio | 598,54 km² | 6,23 hab/km² | 18,46% |
| Pedro Versiani | 487,00 km² | 6,23 hab/km² | 15,02% |
| Mucuri | 472,09 km² | 6,81 hab/km² | 14,56% |
| Crispim Jacques | 310,62 km² | 5,05 hab/km² | 9,58% |
| Rio Pretinho | 289,22 km² | 4,08 hab/km² | 8,92% |
| Total | 3.242,36 km² | 42,38 hab/km² | 100,00% |
| Distritos | 2.157,47 km² | 5,90 hab/km². | 66,54 % |
População x Domicílio
| Distrito | Domicílios | População | Pessoas por Domicílios |
|---|---|---|---|
| Teofilo Otoni | 53.981 (88,95%) | 124.692 hab. | 2,31 |
| Topazio (1938) | 1.914 (3,15%) | 3.729 hab. | 1,95 |
| Pedro Versiani (1948) | 1.487 (2,45%) | 3.034 hab. | 2,04 |
| Mucuri (1976) | 1.667 (2,75%) | 3.213 hab. | 1,93 |
| Crispim Jacques (1948) | 970 (1,60%) | 1.570 hab. | 1,62 |
| Rio Pretinho (1976) | 665 (1,10%) | 1.180 hab. | 1,77 |
| Total | 60.684 | 137.418 hab. | 2,26 |
| Distritos | 6.703 (11,05%) | 12.726 (9,26%) | 1,90 |
Patrimônios
Arquivísticos:
| Dominação | Endereço |
|---|---|
| Arquivo do Cartório de Registro Civil | R: Hermelino Martins Gabriel, 64 |
Sítios Naturais:
| Denominação | Endereço | Localidade |
|---|---|
| Cachoeiras e corredeiras dos rios Preto e Pretinho | Rio Preto |
Lista de Povoados e Comunidades de Rio Pretinho
Mapa da Cidade de Rio Pretinho
Lista de Distritos de Teófilo Otoni
| Distrito | Área | Lei Estadual |
|---|---|---|
| Crispim Jacques | 472,09 km² | Nº 336 de 27/12/1948 |
| Pedro Versiani | 487,00 km² | Nº 336 de 27/12/1948 |
| Topázio | 598,54 km² | Nº 1.039 de 12/12/1953 |
| Mucuri | 310,62 km² | Nº 6.769 de 13/5/1976 |
| Rio Pretinho | 289,22 km² | Nº 6.769 de 13/5/1976 |
Fonte
Almeida, Luiz Sávio de; Galindo, Marcos; Elias, Juliana Lopes (orgs.). 2000. Índios do Nordeste: temas e problemas 2. Maceió: EDUFAL.
GERVÁSIO, F. K., BERTINATO, N. T. Quadro III: Dossiê de Tomabamento das Fachadas do Edifício dos Correios - Téofilo Otoni. Prefeitura de Téofilo Otoni. 2010. Disponível em: <http: //www.teofilootoni.mg.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/Quadro-III-BI-Correios-Te%C3%B3filo-Otoni-Ex2011.pdf>. Acesso em: Acesso em: 10 fev. 2023.
Reinault, Pedro Victor. 1846. Relatório da exposição dos Rios Mucury e Todos os Santos, feita por ordem do Exm. governo de Minas Geraes pelo engenheiro Pedro Victor Reinault, tendente a procurar um ponto para degredo. Revista Trimensal de Historia e Geographia ou Jornal do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, tomo VIII, p. 356-375. Rio de Janeiro. [2ª. edição, 1867]
Tetteroo, Frei Samuel. O Município de Teófilo Otoni: Notas Históricas e Chorográficas.
SILVA, Weder Ferreira da. Colonização, política e negócios: Teófilo Benedito Ottoni e a trajetória da Companhia do Mucuri (1847-1863). Mariana, 2009. Dissertação (ou Tese) – Universidade Federal de Ouro Preto, Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Departamento de História, Programa de Pós-Graduação em História.
IBGE
Fundação João Pinheiro