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História dos Hospitais de Teófilo Otoni

História dos Hospitais de Teófilo Otoni, Santa Rosália, Bom Samaritano (São Vicente de Paulo), Hospital dos Ferroviários e Hospital Regional.

História dos Hospitais

Hospital Santa Rosália

Fundadas em 1896, através da Associação Hospitalar Santa Rosália, primeiro passo para a construção, nos anos seguintes, de um hospital que pudesse atender aos menos favorecidos.

Em 1899 foram abertas subvenções para associados e estabelecidas às diretrizes para um empreendimento do alcance social que um hospital filantrópico deveria ter na cidade. Àquela altura, Teófilo Otoni já despontava como centro econômico e político do nordeste mineiro e sul da Bahia. Uma comissão formada por médicos e engenheiros propôs e aprovou, junto à Prefeitura, o local mais apropriado à edificação, o Alto da Catedral. Nascia o Hospital Santa Rosália.

Fundadas em 1896, através da Associação Hospitalar Santa Rosália, primeiro passo para a construção, nos anos seguintes, de um hospital que pudesse atender aos menos favorecidos.

Hospital Bom Samaritano (São Vicente de Paulo)

1. Hospital Para Tuberculosos

Frei Samuel cita em 1925 que, existe mais outro hospital nesta Cidade, a saber: o dos tuberculosos, mantido pela Conferência de S. Vicente de Paulo, com sede na matriz. Esta Conferência foi fundada a 15 de agosto de 1902 sob os auspícios do Exmo. Sr. Bispo de Diamantina D. Joaquim Silvério de Sousa, que neste mês visitou canonicamente a freguesia de Nossa Senhora da Conceição desta Cidade, e foi reorganizada sob os auspícios do Revmo. Padre Frei Benvindo Poell, no dia 5 de fevereiro de 1911.

No dia 14 de abril de 1912 autorizou essa Conferência ao seu Presidente, o Sr. Elias Abrahão, escolher nesta Cidade um local para no mesmo construírem-se casinhas que haviam de servir de asilo às pessoas desvalidas que a Conferência socorria.

Da ata da reunião do dia 29 de setembro do mesmo ano consta que o referido Sr. Elias Abrahão e o Sr. Cap. Sebastião Augusto Queiroga, tesoureiro da Conferência, tinham comprado uma casinha situada na Antiga Rua do Sapo, na qual no dia primeiro de janeiro de 1913 entrou o primeiro asilado. Com o correr do tempo foi o terreiro dessa casinha transformado em uma chácara com duas casas, uma para cada sexo, sob a denominação de Hospital de S. Vicente para tuberculosos.

Fachada do Hospital Regional de doenças tropicais. Essa obras foi iniciada quando dr. Manoel Pimental de Figueiredo, depois paralisada, no governo seguinte retomada, concluida e inaugurada, contando com um poço dagua.

2. Hospital São Vicente de Paulo

Nos últimos dias do mês de agosto de 1921 adquiriu a Conferência por compra a chácara denominada "Veneta" situada na barra do S. Benedito com o Todos os Santos.

Fundado em 5 de outubro de 1921, inicialmente funcionando em um antigo casarão. A instituição atendia exclusivamente às irmãs religiosas e noviças da congregação, atuando também como espaço de formação em enfermagem — o que lhe conferiu o título de “Hospital Escola”. Em 1930, passou a se chamar oficialmente Hospital São Vicente de Paulo, sendo administrado por um grupo de vicentinos.


Com o tempo, o hospital ampliou sua estrutura e passou a atender também a população em geral. Em 1980, foi construído um novo prédio, aumentando sua capacidade de atendimento. Durante essa década, destacou-se no tratamento da tuberculose, fortalecendo seu papel na prestação de assistência médica humanizada.

3. Hospital Bom Samaritano

Posteriormente, a instituição passou a se chamar Hospital Bom Samaritano, ampliando ainda mais seus serviços. Atualmente, é referência no tratamento do câncer nos vales do Mucuri e Jequitinhonha, atendendo pacientes de mais de 50 municípios, consolidando-se como um centro essencial para a saúde regional.

Hospital dos Ferroviários

1. Hospital João Américo Machado (atual Hospital Municipal Raimundo Gobira)

O Hospital Municipal Raimundo Gobira nasceu com o nome de Hospital João Américo Machado, mantido para seus trabalhadores pela Companhia Ferroviária do Leste Brasileiro. Sua construção foi iniciada em abril de 1913 pela Companhia da Estrada de Ferro Bahia e Minas, representada pelo diretor João Américo Machado, vindo do Rio de Janeiro. O hospital começou a funcionar em julho do mesmo ano e foi solenemente inaugurado em 22 de novembro de 1913.

2.Hospital Balbina Bragança (1971)

Em 3 de julho de 1971, foi inaugurado o Hospital Balbina Bragança em Teófilo Otoni. Nessa data, a Grande Loja de Minas Gerais recebeu como doação do Governo Federal uma área pertencente à extinta Estrada de Ferro Bahia Minas. O irmão José Lopes Bragança — nascido em Belo Horizonte em 14 de agosto de 1905, filho de José Manoel Bragança e Balbina Lopes Bragança — remodelou e ampliou as construções de um hospital já existente no local, que passou a se chamar Hospital Balbina Bragança, em homenagem à sua mãe.

Posteriormente, na administração de Ronaldo Braga, as obras do hospital foram retomadas, com ampliação de 180 leitos e a criação de uma ala para vítimas de queimaduras. Mais tarde, visando melhores condições de administração, Dálcio Cardoso celebrou um contrato de comodato com a Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni, com duração de trinta anos.

3. Hospital Municipal Dr. Raimundo Gobira (2001)

Em 2001, a Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni adquiriu o Hospital Balbina Bragança. Após reformas e adequações, a unidade passou a funcionar com o nome de Hospital Municipal Dr. Raimundo Gobira, unificando a história das duas antigas instituições hospitalares da cidade.

Hospital Regional

1. Hospital Regional de Teófilo Otoni (2006)

A construção do Hospital Regional de Teófilo Otoni, localizado no Vale do Mucuri, é um marco na história da saúde pública de Minas Gerais. Idealizado no início da década de 2010, o projeto representava um passo fundamental para reduzir os vazios assistenciais nas regiões do Mucuri e Jequitinhonha, que há décadas dependiam do deslocamento de pacientes para a capital. O terreno de 40 mil metros quadrados, sendo 22 mil metros quadrados de área construída, foi doado pelo Deputado Neilando Pimenta. As obras tiveram início em 2014, mas foram interrompidas dois anos depois, em 2016, com cerca de metade dos serviços executados. O projeto permaneceu paralisado por oito anos, em cenário de abandono, saques e depredação da estrutura inacabada.

Um novo capítulo se abriu em outubro de 2022, quando o Governo de Minas Gerais anunciou a retomada imediata das obras. Os recursos para a conclusão do hospital foram garantidos por meio do Acordo Judicial de Brumadinho, firmado entre o Governo de Minas, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) e a Vale S.A., para reparar os danos decorrentes do rompimento das barragens em Brumadinho em janeiro de 2019. Para finalizar a estrutura, foram investidos R$ 130 milhões pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra). O investimento total no complexo hospitalar chegou a R$ 275 milhões.

Em paralelo à conclusão da obra, foi realizado um processo de licitação em 2021 para definir a entidade que iria gerir a unidade. O Instituto Mário Penna, instituição filantrópica com sede em Belo Horizonte reconhecida por sua atuação no Hospital Luxemburgo, venceu a concorrência. O contrato de concessão, com duração de até 35 anos, foi firmado com o Governo de Minas em fevereiro de 2023. O momento decisivo ocorreu em 15 de dezembro de 2025, com a cerimônia de entrega oficial das chaves do complexo concluído. Na ocasião, foi anunciado um investimento adicional de aproximadamente R$ 145 milhões para equipar a unidade com tecnologia de ponta, além de um repasse anual de R$ 100 milhões para o custeio das atividades.

Com a estrutura finalizada, o Hospital Regional de Teófilo Otoni consolidou-se como o maior complexo hospitalar do interior de Minas Gerais e o segundo maior do SUS no estado. Sua capacidade é de 427 leitos, incluindo 30 leitos de UTI adulto e 25 de UTI neonatal, além de oito salas de cirurgia e centro obstétrico com quatro salas de parto. Equipado com tecnologias como ressonância magnética, tomografia, ultrassom e mamografia, a unidade oferta serviços de alta complexidade como neurocirurgia, atendimento a queimados e ortopedia. A previsão é atender mais de 800 mil pessoas de mais de 50 municípios dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha, com abertura inicial de 20% dos leitos prevista para o primeiro semestre de 2026.

Fonte:

TETTEROO, Frei Samuel. O Município de Teófilo Otoni: Notas Históricas e Chorográficas. 2. ed.

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