História da Unidade de Pronto Atendimento (UPA)
Aos 28 de dezembro de 2011, a cidade de Teófilo Otoni, cabeça da Macrorregião Nordeste de Minas Gerais, recebeu oficialmente sua Unidade de Pronto Atendimento, marco da estratégia das Redes de Urgência e Emergência no Vale do Mucuri. A unidade, no entanto, já operava desde outubro daquele ano, acumulando números que evidenciavam a demanda reprimida da região.
UPA de Teófilo Otoni
Aos 28 de dezembro de 2011, a cidade de Teófilo Otoni, cabeça da Macrorregião Nordeste de Minas Gerais, recebeu oficialmente sua Unidade de Pronto Atendimento, marco da estratégia das Redes de Urgência e Emergência no Vale do Mucuri. A unidade, no entanto, já operava desde outubro daquele ano, acumulando números que evidenciavam a demanda reprimida da região.
Em apenas dois meses de funcionamento preliminar, a UPA realizou cerca de 14 mil atendimentos, mais de 2.000 exames radiológicos e quase 3.000 exames laboratoriais. A capacidade total da estrutura foi projetada para até 400 pacientes por dia, com equipe de seis médicos, 19 leitos, posto de enfermagem, sala de exames, laboratórios, sala de urgência e sala de classificação de risco. O regime de funcionamento era ininterrupto: 24 horas por dia, todos os dias da semana.
O custeio da unidade, à época da inauguração, foi pactuado em modelo tripartite. O Ministério da Saúde passou a repassar 300 mil reais mensais; o Governo do Estado de Minas Gerais e a Prefeitura de Teófilo Otoni contribuíam com 250 mil reais cada, totalizando 800 mil reais por mês. A administração coube ao Hospital Santa Rosália, instituição que já polarizava o atendimento de populações do Vale do Jequitinhonha, do sul da Bahia e do norte do Espírito Santo.
O impacto imediato da UPA foi preencher uma lacuna histórica no Sistema Único de Saúde: a ausência de um serviço de média complexidade funcionando permanentemente entre o fechamento das Unidades Básicas de Saúde e a porta dos hospitais. A unidade consolidou-se como equipamento de retaguarda essencial para os casos de urgência que surgiam fora do horário da atenção primária.
Junto à inauguração, foram anunciados investimentos complementares que ampliavam o alcance da iniciativa. O Governo de Minas comprometeu-se com um aporte adicional de 36 milhões de reais anuais para cofinanciar as portas de entrada dos hospitais dos municípios vizinhos, ação destinada a fixar profissionais de saúde fora do núcleo central de Teófilo Otoni. Projetou-se um hospital regional com 400 leitos, concebido como centro de traumatologia integrado à Rede de Urgência e Emergência. Criou-se, ainda, uma força-tarefa para reabertura do Hospital São Lucas, com a meta de disponibilizar 120 leitos à população em prazo urgente.
Com o passar dos anos, a UPA de Teófilo Otoni ampliou sua capacidade e foi reclassificada. Habilitada e qualificada como Porte VIII, a unidade passou a dispor de quatro leitos de Sala de Urgência e 15 leitos de Observação, acolhendo cerca de 60 pacientes em observação. Na maioria dos casos, esses pacientes permanecem por um período superior a 24 horas, aguardando transferência para hospitais de referência, realidade que reflete a dependência da infraestrutura regional de retaguarda.
Atendimentos Realizados na UPA 24hs, Teófilo Otoni, 2017-2020.
| Ano | Atendimentos | Ano | Atendimentos |
|---|---|---|---|
| 2017 | 91167 | 2018 | 94323 |
| 2019 | 103234 | 2020 | 76839 |
Atividades assistenciais desenvolvidas na UPA 24h
Recepção: Primeiro contato do paciente com o serviço, onde é realizada a ficha de atendimento (ETE) e inicia-se a espera para a Classificação de Risco e consulta médica.
Classificação de Risco: Baseada no Sistema Manchester de Triagem, estabelece a prioridade clínica conforme a gravidade: Emergência (vermelho), Muito Urgente (laranja), Urgente (amarelo), Pouco Urgente (verde) e Não Urgente (azul).
Atendimento médico: O médico define a conduta inicial a partir das queixas do paciente, podendo encaminhá-lo à observação, ao ambulatório para exames e medicação, ou a procedimentos específicos.
Sala de observação feminina e masculina: Espaços separados onde pacientes aguardam evolução clínica, tratamento e, se necessário, regulação para outro hospital. O tempo preconizado de permanência é de até 24 horas, mas, diante da sobrecarga da rede, é frequente que esse prazo seja excedido.
Isolamento por aerossóis: Sala reservada a pacientes com suspeita ou diagnóstico de infecções transmitidas por via aérea (partículas inferiores a 5 micra), que podem permanecer suspensas no ambiente.
Sala de observação pediátrica: Destinada a crianças, que devem permanecer acompanhadas de um tutor. As mesmas limitações de tempo de permanência se aplicam, com esperas prolongadas enquanto se aguarda vaga em hospitais de referência.
Ambulatório / sala de medicação e nebulização: Local onde são coletados exames laboratoriais e administrados medicamentos, incluindo nebulizações.
Sala de procedimento: Realização de pequenas intervenções, como suturas, curativos, retirada de corpo estranho e bloqueios anestésicos em casos de picadas de animais peçonhentos.
Sala de ECG: Reservada para a realização de eletrocardiogramas.
Sala de Raio-X: Destinada à realização de exames radiológicos.
Sala de coleta de exames: Coleta de material para exames laboratoriais (sangue, urina). O processamento é terceirizado e realizado no Hospital Bom Samaritano.
Sala de vacina: Instância final da Rede de Frio, onde são aplicadas vacinas antirrábicas, hepatite B, soros para acidentes com animais peçonhentos (antiescorpiônico, antiaracnídeo, laquético, crotálico, botrópico) e soro antirrábico.
Sala de estabilização: Equipamento de saúde para estabilização de pacientes graves/críticos, que necessitam de cuidados e vigilância intensivos enquanto aguardam definição diagnóstica, cirurgia de emergência ou transferência para UTI.
Estrutura de apoio e logística da unidade
CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar): Órgão de assessoria normatizado pela Portaria 2.616/98 do Ministério da Saúde, responsável por elaborar, executar e avaliar ações de prevenção e controle de infecção.
Expurgo: Sala onde se realiza a limpeza e eliminação de impurezas dos materiais utilizados, antes do encaminhamento ao CME.
CME (Centro de Material e Esterilização): Unidade funcional destinada ao processamento de produtos para saúde. A esterilização é terceirizada e executada no Hospital Bom Samaritano.
Farmácia: Responsável pelo uso seguro e racional dos medicamentos prescritos, atendendo à demanda dos pacientes em observação.
SND (Serviço de Nutrição e Dietética): Fornece alimentação aos pacientes internados, respeitando as leis da nutrição e contribuindo para o restabelecimento da saúde.
Rouparia: Setor de coleta, pesagem, separação e distribuição de roupas em condições de uso e higiene. A lavagem é terceirizada.
Central de Regulação de Leitos: Sistema que monitora a disponibilidade de vagas em atendimento especializado e leitos, agilizando a marcação de consultas, exames e transferências de pacientes graves para UTI ou procedimentos complexos.
DML e sala de diluição: Depósito de Material de Limpeza e ambiente destinado à diluição de produtos concentrados.
Serviço Social: Acompanhamento social do tratamento, discussão de situações-problema, elaboração de relatórios e pareceres, e interlocução com familiares para apoio na recuperação e prevenção.
Psicologia: Atuação na saúde mental do paciente internado, seja em observação, enfermarias ou estabilização.
Necrotério: Local para guarda de cadáveres até a realização de exames periciais ou remoção funerária.
Pátio de ambulâncias: Estacionamento para viaturas e ambulâncias de socorro.
Sala de RSS (Resíduos de Serviços de Saúde): Armazenamento temporário de resíduos originados da assistência à saúde.
Refeitório: Espaço para refeições dos funcionários, com alimentação fornecida em parceria com o Restaurante Popular do Município.
Salas de descanso: Ambientes de descompressão para médicos, médicas e demais servidores, conforme preconizado pela legislação.
Banheiros: Destinados à higiene pessoal e necessidades fisiológicas dos funcionários.
SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança do Trabalho): Serviço voltado à saúde e segurança dos trabalhadores, promovendo a integridade física dos colaboradores.
Almoxarifado: Local de guarda e conservação de materiais médico-hospitalares e de escritório, acondicionados conforme a política de estoques.
Sala de gerador: Abriga o gerador de energia elétrica para situações de falha no fornecimento da rede.
Sala de cilindro de O₂: Acondicionamento e distribuição de oxigênio medicinal para todos os setores da unidade.
Guarita: Sala de proteção e segurança, com controle de entrada e saída de funcionários e usuários.
Sala de manutenção: Destinada à manutenção corretiva de equipamentos médico-hospitalares, assegurando o pleno desempenho e a segurança do paciente.
Sala de servidor: Ambiente climatizado que abriga os computadores responsáveis pela segurança de dados e informações, sob gestão da equipe de TI.
Gerência administrativa: Responsável pelo gerenciamento e implementação das políticas administrativas, orçamentárias, financeiras, patrimoniais, de pessoas, logística e infraestrutura da UPA.
Custeio atualizado (pós-habilitação como Porte VIII)
Com a evolução do perfil assistencial, o financiamento tripartite foi revisto. O custeio atual da UPA 24h de Teófilo Otoni é composto por repasses mensais de 500 mil reais do Governo Federal, 125 mil reais do Governo Estadual e 250 mil reais do Município, garantindo a manutenção de toda a infraestrutura descrita e a continuidade dos serviços prestados à população do Vale do Mucuri.
Mapa do História da Unidade de Pronto Atendimento (UPA)
Fonte:
TEÓFILO OTONI. Prefeitura Municipal. Plano Municipal de Saúde de Teófilo Otoni 2022-2025. Teófilo Otoni: Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni, 2022. Disponível em: https://digitaliza-institucional.s3.us-east-2.amazonaws.com/municipio-de-teofilo-otoni/documentos-oficiais/Plano%20Municipal%20de%20Sa%C3%BAde%202022%20-%202025%20-%20ZutRI5EPFK.pdf. Acesso em: 17 maio 2026.