A Trajetória Inspiradora de Fabrícia Monteiro: De Pedagogia às Tranças Afro

Com nove anos de experiência na estética afro, a trajetória de uma trancista que se especializou em tranças é um exemplo de determinação e paixão. Ela iniciou sua carreira na área da beleza, mas, antes de se encontrar nas tranças, trabalhou em salões de beleza em um tempo em que alisar o cabelo era a tendência dominante, enquanto as tranças enfrentavam preconceito. Cansada do ambiente dos salões e buscando uma nova direção, ela começou a faculdade de Pedagogia, onde, sem saber, sua verdadeira vocação estava prestes a se revelar.
A Descoberta das Tranças: Após dois anos de estudos em Pedagogia, as tranças entraram em sua vida. O interesse começou quando ela passou a usá-las em si mesma e chamou a atenção das colegas de faculdade. "As pessoas me perguntavam quem havia feito, e logo comecei a atender as colegas que também queriam o estilo", relembra. Ao final do curso, ela se viu dividida entre seguir na Educação ou se dedicar inteiramente às tranças, optando por completar seu TCC sobre a cultura afro-brasileira nas escolas do ensino fundamental.
A Conexão entre Pedagogia e Estética Afro: Para a trancista, a educação e as tranças estão profundamente conectadas. "A cultura afro-brasileira é extremamente ausente nas salas de aula. Muitas das minhas clientes são mulheres pretas com autoestima baixa, algo que vem da falta de aceitação de sua própria identidade desde a infância", explica. Ela acredita que educar as crianças sobre a importância de sua cultura e origem é essencial para que cresçam confiantes e conscientes de sua história.
A Transição Capilar e a Paixão pelas Tranças: A decisão de abandonar a química e passar pela transição capilar foi desafiadora, mas as tranças se mostraram a solução ideal. "Na época, as informações sobre tranças eram escassas, mas decidi tentar. Minha autoestima melhorou instantaneamente, e eu me apaixonei pelo resultado", conta. A partir daí, começou a fazer suas próprias tranças e as de colegas, o que levou ao crescimento da demanda.
Do Ateliê em Casa ao Crescimento da Empresa: Em 2018, ela abriu seu próprio ateliê em Teófilo Otoni. O crescimento da clientela e da equipe a levou a buscar um espaço separado de sua residência, mas a pandemia de 2020 atrasou esses planos. Somente em 2022, conseguiu separar o ateliê da sua casa, o que marcou uma nova fase em sua carreira. "Hoje, temos uma grande procura, e o preconceito em relação às tranças diminuiu bastante, embora ainda exista", afirma.
Os Modelos de Tranças Mais Procurados: Entre os modelos mais populares no ateliê estão as Box Braids e as Goddess Braids, conhecidas por sua durabilidade, que pode chegar a dois ou três meses. A trancista destaca a importância de se dedicar à profissão, investindo em conhecimento e prática para se destacar no mercado.
Uma Carreira Recompensadora: "Trabalhar com tranças é cansativo e exige muita dedicação, mas vale muito a pena", ela afirma. "Sou muito feliz fazendo o que faço e acredito que quem escolher essa área também será, desde que se dedique e trabalhe com amor."
Essa história inspira não apenas aqueles que desejam seguir na área da estética afro, mas também todos que buscam encontrar e se dedicar àquilo que realmente amam fazer.