Joaquim José de Araujo Maia Junior (1825-1912)
Criador da fazenda Monte Cristo, nascido em Valença–RJ, filho do Capitão Joaquim José de Araujo Maia e Theodósia Cândida Vieira, se casou com Maria Isidora Ottoni de Araújo Maia (irmã de Theófilo Benedicto Ottoni), mais três das suas irmãs se casaram com o Ottoni, mostrando os laços das duas famílias, Maria Leopoldina de Araújo Maia com Capitão Leonardo Esteves Ottoni, Ana Amália de Araújo Maia com Manuel Esteves Ottoni e Bárbara Balbina de Araújo Ottoni com Christiano Benedito Ottoni.
Joaquim José de Araujo Maia Junior (1825-1912)
Criador da fazenda Monte Cristo, nascido em Valença–RJ, filho do Capitão Joaquim José de Araujo Maia e Theodósia Cândida Vieira, se casou com Maria Isidora Ottoni de Araújo Maia (irmã de Theófilo Benedicto Ottoni), mais três das suas irmãs se casaram com os Ottoni, mostrando os laços das duas famílias, Maria Leopoldina de Araújo Maia com Capitão Leonardo Esteves Ottoni, Ana Amália de Araújo Maia com Manuel Esteves Ottoni e Bárbara Balbina de Araújo Ottoni com Christiano Benedito Ottoni.
Fazenda Monte Cristo
A fundação da Philadelphia, hoje, Teófilo Otoni, se deu na Monte Cristo, em 4 de agosto de 1852, Teófilo Benedicto Ottoni enganou o cacique Poton fazendo menção a serem parentes devido à semelhança entre "Potone" ou “Otton” e “Poton”.
Conta a história que aconteceu uma “grande festa” com os Nak-Nanuks, com toucinho, farinha e rapadura (um banquete para a época), quinze dias depois foram derrubadas áreas para três magníficas fazendas: Monte Cristo, Liberdade e Itamunhec, todas escravistas.
A fazenda Monte Cristo está localizada na estrada de Itamunhec, km 10, sendo banhada pelo Ribeirão Poton, afluente da margem direita do rio Todos os Santos, a 13 km da Sede do município, próxima (mais ou menos 2 km) do antigo leito da estrada de ferro Bahia e Minas.
No passado limitava-se com as terras de Augusto Benedito Ottoni, Manoel Esteves Ottoni, Leonardo Esteves Ottoni, com os índigenas Poton e com as águas do rio São Mateus, no Espírito Santo. Conforme o mapa de autoria do engenheiro e agrimensor do município de Minas Novas Charles Pelatan, a fazenda Monte Cristo possuía 27.278,7 braças de perímetro (60.012,14 metros ou aproximadamente 60 km) e 16.174.282 braças quadradas de superfície (78.236.264,88 metros² ou 7.823,63 hectares).
Trabalho Escravo
Além do trabalho escravo, a fazenda usava trabalho indígena, que recebiam ferramentas como moeda pelo trabalho desempenhado, sendo produzido café, açúcar e aguardente. Johann Tschudi narra na obra “Viagens através da América do Sul”, que 1858 havia ali cerca de meio milhão de mudas de café.
Estrada Santa Clara
Quando veio de Valença-RJ, trouxe 100 pessoas negras escravizadas, sendo de 40 a 58 deles alugados pela Companhia de Comércio Navegação e Colonização do Mucuri, criada pelos irmãos Theóphilo Benedicto Ottoni e Honório Benedicto Ottoni, para começar a construção da Estrada Santa Clara, auxiliado pelo engenheiro Oscar Henning, por um valor unitário de duzentos mil-réis (200$000) anuais.
A estrada ligava Santa Clara (Nanuque) à Filadélfia, sendo que em dezembro de 1854, Maia retirou seus homens para empregá-los na construção da fazenda Monte Cristo, nome em homenagem ao romancista francês Alexandre Dumas.
Genocídio Indígena
Os conflitos foram imediatos e começaram ainda em 1861, no mesmo ano em que a companhia faliu. O primeiro deles ocorreu na Fazenda Monte Cristo, propriedade de Joaquim Maia (cunhado de Teófilo Ottoni) e de Leonardo Esteves Ottoni. O alvo foi o grupo do capitão Potón, um dos líderes mais fiéis entre os Naknenuk. O ataque foi articulado por Joaquim Martins Fagundes, Diretor da Circunscrição do Alto Jequitinhonha, um famoso "amansador de índios" contratado naquela região.
Fagundes já era conhecido por ter atacado a aldeia do capitão Clemente por um conto de réis, contando com o apoio do Destacamento Militar do Urucu. Segundo o relato de Augusto Ottoni, os liderados de Potón foram atraídos com a falsa promessa de uma confraternização. No massacre, morreram quarenta e um indígenas – homens, mulheres e crianças.
Apesar de terem sido as vítimas, os fazendeiros solicitaram intervenção do Governo Imperial e foram rapidamente atendidos. O Ministro da Agricultura conseguiu um navio de guerra com a Marinha e uma tropa do Corpo de Linha com o Ministro do Exército, o Marquês de Caxias, e enviou tudo para combater as bandeiras de Mek-Mek, Jukirana e Felipe Pojixá – todos antigos liderados do capitão Jiporok.
Mudança de Dono
Quando retornou ao Rio de Janeiro, vendeu para Fernando Schroeder, que depois de algum tempo (após o fim da escravidão) passou para o fazendeiro Gustavo Bamberg, cuja família a dominou por 82 anos seguidos quando a vendeu para Eli Jeremias Paranhos, em 1993.
Aristides Maia (1860-1903)
Filho de Joaquim José de Araujo Maia, nasceu na fazenda Monte Cristo, era filho de Maria Isidora Otoni de Araújo Maia, irmã de Teófilo Benedito Otoni, ajudando a identificar os laços entre eles.
Fazenda Monte Cristo
Fontes:
RAMALHO, Juliana Pereira. Minas Novas: um projeto de província nos sertões – povoamento e concentração fundiária na freguesia de São Pedro do Fanado (1834-1857). 2018. 335 f. Tese (Doutorado em História) - Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2018.
ALMEIDA, Luiz Sávio de; GALINDO, Marcos; ELIAS, Juliana Lopes (orgs.). Índios do Nordeste: temas e problemas 2. - A guerra do Mucuri: conquista e dominação dos povos indígenas, Maceió: EDUFAL, 2000.
SILVA, Weder Ferreira da. Colonização, política e negócios: Teófilo Benedito Ottoni e a trajetória da Companhia do Mucuri (1847-1863). Mariana, 2009. Dissertação (ou Tese) – Universidade Federal de Ouro Preto, Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Departamento de História, Programa de Pós-Graduação em História.
A formação econômica, política, social e cultural do Vale do Mucuri, Márcio Achtschin Santos, 2018